O menino de 10 anosbaleado três vezes na cabeça com uma arma de pressão, emPalmeiras de Goiás, na região central do estado, recebeu alta do Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), em Goiânia, e foi transferido para o Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), segundo a família.
Em recuperação, a criança gravou uma mensagem de áudio para o avô, na qual fala sobre a melhora e demonstra vontade de voltar para casa. O menino ainda sente dores na região da coluna e do quadril.
“Oi, vovô, tudo bem? Eu tô bem aqui. Eu quero voltar pra casa logo, tá? Alta, alta, alta, alta. Até comendo essas guloseimas tudo. Eu tô morrendo de saudade de todos vocês, tá, vovô? Amo muito todos vocês”, disse a criança na gravação enviada aos familiares.
À TV Anhanguera, a família informou que a transferência para o Crer tem como objetivo iniciar o processo de reabilitação motora e neurológica.
O caso aconteceu em 14 de setembro. Inicialmente, a família afirmou que o próprio menino teria atirado acidentalmente contra a cabeça ao manusear uma espingarda de pressão. A mãe, o padrasto e o proprietário da residência onde ocorreu o caso foram presos preventivamente por suspeita de tentativa de homicídio, uma semana após o ocorrido. O fazendeiro, que vivia com a família, também foi preso.
Og1não conseguiu localizar as defesas dos investigados até a última atualização desta reportagem.
Segundo o delegado André Veloso, o fazendeiro se considerava pai afetivo do padrasto da criança e teria impedido que policiais militares conversassem com a mãe do menino, alegando que ela estava abalada.
No dia dos disparos, a criança foi levada a um hospital de Palmeiras de Goiás em estado considerado gravíssimo, com insuficiência respiratória grave, hematomas e duas perfurações na região frontal do crânio. Exames de raio-X identificaram três projéteis de chumbinho alojados na cabeça.
De acordo com o delegado, osferimentos são incompatíveis com a versão apresentada pela mãe, de que o menino teria provocado o acidente ao manusear a espingarda.
A perícia e a investigação apontaram que a arma de cano longo exige recarga manual a cada disparo e demanda esforço físico incompatível com a capacidade da criança.
“É difícil acreditar que ele tenha conseguido uma única vez atirar, porque a arma é pesada, o braço dele é curto. E no local que foi atirado, na fronte, é difícil ele ter esticado o braço e conseguido acionar o gatilho. Agora, três vezes é impossível ele ter atirado”, afirmou o delegado.
Histórico de agressões
Segundo a Polícia Civil, vizinhos relataram ter ouvido gritos e pedidos de socorro vindos da residência no dia dos disparos. Os depoimentos reforçaram a suspeita de tentativa de homicídio e de maus-tratos contínuos contra a criança.
Em entrevista à TV Anhanguera, o delegado afirmou queas agressões contra o menino seriam recorrentes. Conforme a investigação, a criança tinha histórico de violência e era agredida com frequência.
Os relatos das testemunhas também ajudaram a colocar em dúvida a versão de que o menino teria atirado acidentalmente contra a própria cabeça.
Prisão dos suspeitos e investigação
De acordo com o delegado, as atitudes do fazendeiro contribuíram para que a polícia apresentasse à Justiça indícios de possível envolvimento dele no crime ou de tentativa de atrapalhar as investigações.
O padrasto, por sua vez, disse à polícia que estava fora de casa, visitando uma fazenda vizinha por volta do meio-dia, e que não presenciou o disparo. No entanto, segundo a investigação, os policiais descobriram que ele esteve no local em horário muito próximo ao do ocorrido.
O caso é investigado como tentativa de homicídio qualificado, e a hipótese de disparo acidental foi descartada pela polícia. Segundo o delegado, a prisão temporária dos suspeitos foi decretada por 30 dias para que os investigadores apurem a participação individual de cada um.
“As ações individualizadas, temos 30 dias de prisão temporária para tentar verificar quem fez o quê”, destacou.
Parentes que preferiram não se identificar disseram desconfiar do comportamento da mãe após o ocorrido e afirmaram sentir alívio com o avanço da investigação para identificar os responsáveis.
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