Um dos trunfos da virada histórica deLula (PT)no segundo turno das eleições presidenciais foi o grupo no WhatsApp criado pelo deputado federalAndré Janones (Rede-MG)chamado de "Exército de Lula", que neste momento conta com mais de 10 milhões de membros.
Inspirados na estratégia do petista, grupos políticos do mesmo espectro ao redor do mundo passaram a adotar a mesma estratégia.
É o caso de países como:
A dissiminação da estratégia utilizada por apoiadores de Lula se dá num momento em que a direita e a extrema-direta avançam ao redor do mundo em diversos países. Na América do Sul, por exemplo,7 chefes de estado são de direita, enquanto 5 são alinhados a esquerda.
Na França, o primeiro grupo a surgir foi o"Les Soldats Insoumis" (Soldados Insubmissos),uma iniciativa não oficial criada por simpatizantes do partido de Mélenchon. A repercussão da estratégia brasileira levou o próprio LFI a criar um canal oficial, o "L’équipe de Mélenchon officielle" (A equipe oficial de Mélenchon).
Assim como no Exército do Lula, os integrantes recebem 'missões' para ampliar o alcance das publicações e atrair novos participantes. Entre as orientações estãoconvites para adicionar pessoas ao canal e pedidos para bloquear perfis de adversários políticos nas redes sociais,com o objetivo de reduzir o alcance de seus conteúdos - inspirados nas lições de Janones.
A influência da estratégia brasileira também aparece nas mensagens compartilhadas dentro do grupo.Algumas delas são divulgadas tanto em francês quanto em português,mostrando a presença de referências ao modelo adotado por Janones.
A movimentação acontece em meio à preparação para as eleições presidenciais francesas, previstas para abril e maio de 2027.Marine Le Pen, líder da extrema-direita francesa, lidera as pesquisas.
Já na Espanha, apoiadores dePedro Sánchezcompartilham imagens e vídeos com discursos e declarações do atual primeiro-ministro espanhol, em uma tentativa de ampliar o alcance de suas mensagens nas redes sociais.
Em algumas das publicações compartilhadas,o presidente Lula (PT) também aparece.
Além disso, alguns ativistas compartilham imagens com as'6 regras da estratégia digital de Janones'para usarem na eleição de Sánchez.
Sánchez governa a Espanha desde junho de 2018e disputará as eleições gerais de 29 de novembro de 2026, que ele mesmo convocou na tentativa de permanecer à frente do governo espanhol.
No grupo argentino, as referências ao presidente Lula (PT) são ainda mais frequentes. Vídeos, imagens e mensagens compartilhadas pelos integrantes destacam a estratégia adotada no Brasil e os resultados alcançados nas urnas.
A dinâmica também é semelhante à do Exército do Lula:os participantes recebem "missões" para divulgar o grupo, convidar novos integrantes e ampliar o alcance da comunidade nas redes sociais.
A Argentina é governada por Javier Milei,líder de direita e aliado político de Flávio Bolsonaro e do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.Milei é um dos principais adversários do kirchnerismo, corrente política ligada ao peronismo, que reúne os apoiadores do grupo argentino.
Por lá, as eleições presidencias acontecem no final de 2027.
Inspirados no ‘Exército do Lula’ de Janones, ativistas criam canais na França, Espanha e Argentina
'Janonismo internacional': estratégia de mobilização pelo WhatsApp ganhou força durante o segundo turno das eleições brasileiras e agora é reproduzida por apoiadores de lideranças políticas estrangeiras.