Financiamento imobiliário mais caro? Bradesco, Itaú e Santander elevam taxas; Caixa não se manifesta

Financiamento imobiliário mais caro? Bradesco, Itaú e Santander elevam taxas; Caixa não se manifesta
Maiores bancos privados do país apontaram a alta dos juros futuros como justificativa. A Caixa, líder nas contratações para aquisição de imóveis, está em período de silêncio antes da divulgação de seu balanço.
Quem planeja financiar a compra de um imóvel vai encontrar juros mais altos em alguns dos maiores bancos privados do país. Nos últimos dias,Bradesco,ItaúeSantanderanunciaram aumentos nas taxas de financiamento imobiliário.

Juntos,os três bancos responderam por cerca de 55% do valor financiadopara aquisição de imóveis entre janeiro e setembro deste ano, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

Em notas enviadas aog1, as instituições atribuem o movimento, de forma geral, à alta dos juros futuros(leia abaixo). O rendimento dos títulos brasileiros de cinco anos, por exemplo, passou de 12,87% para 15,39% após as eleições, alta superior a 2,5 pontos percentuais.

ACaixa Econômica Federal, que lidera com folga as contratações para compra de imóveis, não informou se também pretende reajustar suas taxas.Procurado pelog1, o banco afirmou que está em período de silêncio antes da divulgação do balanço e, por isso, não se manifestará sobre o tema.

Veja abaixo como ficaram as taxas em cada banco, o que está por trás dos reajustes e os cuidados antes de fechar um financiamento:

O Bradesco não informou a variação das taxas. No entanto, og1teve acesso a um comunicado enviado a parceiros que detalha os novos percentuais.

A taxa principal passou de 11,99% + TR (Taxa Referencial) para15% + TR ao ano.Para clientes Private, subiu de 11,70% + TR para 13,60% + TR.A nova tabela entrou em vigor na segunda-feira (26).

Em nota, o banco afirmou que atualizou as taxas máximas de suas linhas de crédito imobiliário "em função do aumento verificado nas taxas de juros do mercado".

"As condições finais de financiamento imobiliário são negociadas com análise individualizada das propostas, considerando o perfil do cliente e as características da operação", acrescentou.

O Bradesco também afirmou que "segue valorizando o setor e oferecendo condições competitivas para seus clientes".

Em nota aog1, o Itaú informou quereajustou para 12,95% ao ano a taxa mínima do financiamento imobiliárioa partir desta quinta-feira (29).

Um comunicado enviado pelo banco a parceiros detalha que as novas condições variam conforme o perfil do cliente. No segmento Private, a taxa parte de 12,89% + TR. Para não correntistas, chega a 14,85% + TR.

O Itaú atribuiu o reajuste às recentes oscilações dos juros futuros. Segundo o banco, como o financiamento imobiliário depende de recursos captados no mercado, essas variações afetam o custo das operações.

“O ajuste busca refletir as condições atuais de captação e preservar a sustentabilidade das operações”, afirmou.

A instituição acrescentou que as condições dependem do perfil e do relacionamento de cada cliente e reafirmou seu “compromisso com a oferta de taxas competitivas e condições de financiamento atrativas e adequadas às necessidades dos clientes”.

No Santander, era possível encontrar financiamento com taxa de 11,69% ao ano + TR. A partir desta sexta-feira (30), as operações passam a ser ofertadas com taxas a partir de12,49% + TR, segundo o banco.

Em nota, o Santander afirmou que "acompanha regularmente os indicadores econômicos" e as condições do mercado imobiliário, além de avaliar "continuamente as condições de seus produtos de crédito".

O que explica o movimento

A advogada Daniele Akamine, especialista em mercado imobiliário, afirma que os aumentos “surpreendem”. A Selic, taxa básica de juros do país, está em trajetória de queda eteve, em setembro, sua quinta redução consecutiva.

“Mas faz sentido do ponto de vista do banco. O financiamento imobiliário é um crédito de longo prazo, e a instituição se protege com base nos juros futuros, que subiram após a eleição”, diz.

Para Akamine, o que mais chama atenção é o tamanho do reajuste, que, segundo ela, ficou acima de 3% ao ano para a maioria dos clientes.

“Isso pode encarecer bastante a parcela, reduzir o valor que a família consegue financiar e diminuir o poder de compra”, afirma.

Cuidados antes de fechar o financiamento

Diante da mudança nas taxas, a especialista recomendacomparar as condições oferecidas pelos bancos antes de fechar o financiamento.Ela lembra que a Caixa, por exemplo, não anunciou aumento nas taxas.

“Neste momento, o principal é comparar simulações entre bancos. Outro ponto essencial é olhar o Custo Efetivo Total [CET], e não apenas a taxa de juros. Duas propostas com juros parecidos podem ter custos finais muito diferentes”, explica.

Segundo a especialista, também é preciso verificar qual índice será usado para atualizar o contrato durante o financiamento.

“A maioria dos financiamentos imobiliários no Brasil é corrigida pela TR. Existem linhas atreladas ao IPCA, que costumam ter uma taxa de juros menor e, aparentemente, são uma opção mais atraente”, diz.

Akamine acrescenta que outro ponto de comparação é o sistema de amortização — ou seja, a forma como o saldo devedor será reduzido ao longo do contrato.

“No SAC [Sistema de Amortização Constante], a primeira parcela é maior e diminui ao longo do tempo. No Price, a parcela é fixa, mas o total pago ao final costuma ser maior, quando as duas opções são comparadas no mesmo prazo”, conclui.