Após promessa de Lula, Saúde pede avaliação de canetas à Conitec com inclusão de liraglutida

Após promessa de Lula, Saúde pede avaliação de canetas à Conitec com inclusão de liraglutida
Na reta final das eleições, Lula prometeu canetas no SUS antes de avaliação da Conitec e análise de orçamento. Agora, Saúde faz pedido, mas inclui liraglutida — substância focada em diabete.
O Ministério da Saúde protocolou nesta quinta-feira (24) um pedido para que aConitecavalie a incorporação ao SUS de medicamentos à base deliraglutidaesemaglutidapara o tratamento da obesidade.

A presença daliraglutidano pedido amplia o leque de opções em análise. Até agora, a discussão sobre uma eventual oferta dessas canetas na rede pública vinha se concentrando principalmente na semaglutida.

A avaliação da Conitec é uma das etapas necessárias antes que esses medicamentos possam ser oferecidos de forma ampla pelo SUS.

Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que essesmedicamentos seriam disponibilizadospelo SUS,mas ainda faltavam etapas técnicas para que isso pudesse ocorrer.

Hoje, o SUS não oferece de forma ampla medicamentos para o tratamento da obesidade.

Há apenas um projeto-piloto, iniciado em junho em Porto Alegre (RS), que acompanha cerca de250 pacientescom obesidade grave ou indicação de cirurgia bariátrica.

O novo pedido ocorre em um cenário diferente do observado nas análises anteriores. Segundo o ministério, a entrada de novas marcasreduziu em cerca de 70% os preços desses medicamentosem menos de um ano.

A pasta afirma que 25 canetas já têm registro no Brasil, 14 delas aprovadas em 2026.

A queda dos preços pode mudar uma das principais questões envolvidas em uma eventual oferta pelo SUS:o custo para a rede pública.

Avaliações anteriores da Conitec apontavam impacto debilhões de reais ao longo de cinco anos, dependendo do número de pacientes incluídos e do tempo de tratamento.

O pedido apresentado agora inclui semaglutida e liraglutida, dois princípios ativos que já não têm proteção de patente, segundo o Ministério da Saúde.

Apesar disso, mesmo com uma eventual recomendação favorável da Conitec, a chegada desses medicamentos aos pacientes ainda dependerá da definição de quem poderá recebê-los, em quais condições e de onde virão os recursos para financiar o tratamento.

Dados do Ministério da Saúde apontam que a proporção de adultos com obesidade no país passou de11,8%, em 2006, para25,7%, em 2024.