Ter poucas espinhas na adolescência não significa estar livre da acne na vida adulta. As lesões podem surgir ou se intensificar depois dos 25 ou 30 anos, afetando principalmente o rosto, mas também regiões como peito, ombros e costas.
Foi o que aconteceu com Gillian Maegan Montalbo, profissional de marketing que mora nas Filipinas. Quando adolescente, ela tinha apenas algumas espinhas na testa e no nariz. Já adulta, passou a apresentar lesões frequentes nas bochechas e no queixo, que chegaram a afetar sua autoestima e sua confiança no ambiente de trabalho.
Embora seja frequentemente associada à puberdade, a acne é uma doença inflamatória da pele que também atinge adultos, especialmente mulheres. O tratamento depende da gravidade das lesões e dos fatores envolvidos em seu aparecimento.
Segundo Crystal Aguh, dermatologista da Escola de Medicina Johns Hopkins, nos Estados Unidos, a condição tem tratamento e não deve ser ignorada, especialmente quando provoca manchas e cicatrizes.
Por que a acne aparece na vida adulta?
A acne surge quando os folículos da pele ficam obstruídos por sebo e células mortas, favorecendo a proliferação de bactérias e a inflamação.
Entre os fatores associados estão alterações hormonais, predisposição genética, uso de determinados medicamentos, como corticosteroides, e fatores ambientais. A alimentação também pode influenciar o quadro em algumas pessoas, embora essa relação varie.
A localização das espinhas pode fornecer pistas sobre suas causas. Na adolescência, as lesões costumam aparecer na testa, no nariz e nas bochechas. Já entre mulheres adultas, a acne com influência hormonal frequentemente se concentra no queixo e na linha da mandíbula.
As manifestações também variam: podem surgir cravos, pequenas espinhas inflamadas ou nódulos profundos e dolorosos, com maior risco de deixar cicatrizes.
Segundo Aguh, quando as lesões são persistentes e a pele praticamente não apresenta períodos de melhora, é importante procurar avaliação dermatológica.
Quais tratamentos funcionam?
Nos casos mais leves, dermatologistas podem recomendar produtos com peróxido de benzoíla, ácido salicílico ou retinoides, como o adapaleno. Essas substâncias ajudam a controlar a obstrução dos poros e a inflamação.
Quando a acne é mais intensa, o tratamento pode incluir medicamentos prescritos, como antibióticos e tretinoína. Nos casos graves ou resistentes, a isotretinoína oral pode ser indicada, sempre com acompanhamento médico.
Para mulheres com acne de influência hormonal, anticoncepcionais e espironolactona também podem ser opções, dependendo do histórico de saúde e das contraindicações.
Já as lesões nas costas e em outras regiões do corpo podem exigir medicamentos orais, especialmente quando são extensas ou de difícil acesso para aplicação de cremes.
Outro cuidado importante é não espremer as espinhas.
Segundo Lauren Fine, dermatologista de Chicago, manipular as lesões geralmente agrava a inflamação e aumenta o risco de manchas e cicatrizes.
Os adesivos de hidrocoloide, populares nas redes sociais, podem ajudar a absorver secreções e impedir que a pessoa cutuque a pele, mas têm efeito limitado e não substituem o tratamento da acne.
E as manchas e cicatrizes?
Mesmo depois que as espinhas desaparecem, as marcas podem permanecer por meses.
Produtos com ácido glicólico e retinoides podem ajudar a reduzir manchas escuras causadas pela inflamação. Já cicatrizes mais profundas podem exigir procedimentos dermatológicos, como tratamentos a laser.
A melhora não costuma ser imediata. Dependendo da gravidade, podem ser necessárias semanas ou meses para perceber resultados, e alguns tratamentos podem provocar irritação ou piora temporária no início.
No caso de Montalbo, a acne desapareceu cerca de um ano depois que ela começou o acompanhamento dermatológico. As cicatrizes, porém, demoraram mais para melhorar.
Além dos medicamentos, ela afirma que o apoio da família e dos amigos foi fundamental para recuperar a autoconfiança. Seu pai, que também havia enfrentado a doença, foi quem a incentivou a procurar ajuda médica.
Acne na vida adulta: por que as espinhas aparecem depois dos 30 anos e como tratar?
Alterações hormonais, genética e alguns medicamentos podem favorecer o surgimento de espinhas mesmo em quem teve pouca acne na adolescência. Dermatologistas explicam quais tratamentos funcionam.