7 em cada 10 brasileiros consideram a escola um lugar inseguro para crianças e adolescentes

7 em cada 10 brasileiros consideram a escola um lugar inseguro para crianças e adolescentes
Novo recorte da pesquisa Infinis/Quaest detalha qual a percepção dos brasileiros sobre o papel da escola na proteção das crianças. 70% citam violência entre alunos como principal motivo para insegurança.
As escolas são pouco ou nada seguras para crianças e adolescentes.Ao menos, é nisso que acreditam7 em cada 10 brasileiros(73,%), de acordo com um novo recorte da pesquisa Infinis/Quaest divulgado nesta quarta-feira (30).Somente 26% dos brasileiros consideram a escola um ambiente seguro.

O dado é da pesquisa "Atitudes e percepções sobre a infância e violência contra crianças e adolescentes", realizada pelo Instituto Futuro é Infância Saudável (Infinis) em parceria com a Quaest, que divulgam hoje um novo recorte do levantamento.

No primeiro recorte, a pesquisa revelou que, apesar da maioria dos brasileiros considerarem queo diálogo é a melhor forma de educar crianças, práticas violentas seguem presentes no cotidiano. Agora, o levantamento detalha qual a percepção dos brasileiros sobre o papel da escola na proteção das crianças.

A pesquisa observa atitudes e percepções em relação à infância e à violência contra crianças e adolescentes. O levantamento ouviu 2.202 brasileiros com 18 anos ou mais em 128 municípios entre 29 de maio e 7 de junho de 2026.

Brasileiros ‘confiam pouco’ nas escolas

Quando considerando quais instituições os brasileiros mais confiam para garantir a proteção de crianças e adolescentes, as escolas aparecem quase no fim da lista entre as que “confiam muito”, ficando acima apenas de abrigo e ONGs. Psicólogos, Polícia e Conselho Tutelar são as instituições com maior faixa de ampla confiabilidade.

Em contrapartida, as escolas aparecem em destaque no recorte de “confiam pouco”. Ou seja, apenas 30% dos brasileiros afirmam confiar muito nas instituições de ensino, enquanto 55% confiam pouco e 14% não confiam.

Em 2021, 55% dos brasileiros confiavam totalmente nas escolas (faixa de avaliação mais alta da ocasião). Em 2026, a faixa mais alta foi “confia muito”, e ficou em apenas 30%.

Não consideram a escola um lugar seguro

7 em cada 10 brasileiros não consideram a escola um lugar seguro.O levantamento considera a opinião de pessoas com e sem filhos, e da rede pública ou privada.

Entre os pais e mães com filhos em idade escolar matriculados na rede pública, a faixa de insegurança é mais alta (72%) do que entre pais e mães com filhos na rede privada (59%).

👉🏾 Mas por que a escola não está sendo considerada como um local seguro?

O principal motivo citado pelos brasileiros para não considerarem a escola como um lugar seguro éa violência entre alunos (70%).

Violência de profissionais da escola contra alunos (8%) e ambos (18%) também aparecem como motivos. 4% não sabe ou não respondeu.

Para Márcia Kalvon, diretora-executiva do Infinis, os dados desenham um umalerta importantesobre como a escola é vista no país.

O que tornaria a escola segura

Quando perguntados sobre o que poderia tornar as escolas mais seguras, os brasileiros se dividem sobre como a responsabilidade pode ser encarada.

Márcia Kalvon avalia que os dados são claros ao mostrar que, para os brasileirios,um ambiente escolar mais seguro demanda educadores preparados, família e comunidade escolar unidas e a criação de espaços de escutapara crianças e adolescentes.

Ela reforça que algumas políticas públicas existentes já indicam o caminho, como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), com o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, e o Programa Saúde na Escola, que trabalha temas como cultura de paz e saúde mental.

"Essas iniciativas podem oferecer ferramentas para que crianças e adolescentes aprendam a lidar com conflitos e situações desafiadoras nas relações entre os próprios alunos. Precisamos fortalecer essas políticas e avançar em uma atuação intersetorial, articulando educação, saúde, famílias e os demais integrantes da rede de proteção para enfrentar o cenário apontado pela pesquisa”, complementa.